O Crédito Agrícola Mútuo é uma das instituições mais antigas da sociedade portuguesa, com génese nos Celeiros Comuns e nas Misericórdias. Ao longo da sua história, o Crédito Agrícola Mútuo atravessou diversos períodos de maior e menor prosperidade, mas soube, sempre, adaptar-se às diferentes formas de organização e exploração da propriedade e da actividade agrícolas, de acordo com a evolução económica e social do país.
Na sua fase moderna e após um surto de desenvolvimento, no primeiro quartel do século XX, o Crédito Agrícola Mútuo viveu um período de estagnação até ao início da década de 1980. Desde então, porém, e especialmente desde os anos 90, o Crédito Agrícola conheceu um período de grande crescimento, em que partindo das pequenas Caixas de base rural e mantendo a sua matriz cooperativa, se transformou num dos principais grupos financeiros nacionais de vocação universal.
A organização das Caixas locais, sob a forma de cooperativas, dotadas de autonomia e gestão próprias, constituídas por associados e dirigentes “da terra”, imbuídos dos princípios de solidariedade, são a base da longevidade e do sucesso do Crédito Agrícola, bem como do seu enraizamento nas comunidades onde se inserem, pelo que essa forma e princípios de organização e de funcionamento são valores essenciais que devem ser respeitados e estimulados.
Actualmente, o Crédito Agrícola serve mais de um milhão de clientes, tem cerca de 400.000 associados, emprega cerca de 4000 trabalhadores, tem uma Federação Nacional, a FENACAM, e, para além da Caixa Central e de mais de uma centena de Caixas que compõem o SICAM - Sistema Integrado do Crédito Agrícola Mútuo - é constituído por duas seguradoras e por diversas sociedades financeiras que actuam em diferentes áreas de negócio, bem como por empresas instrumentais para o funcionamento e apoio à actividade do Grupo.
Para gerir e fiscalizar este universo e para coordenar a sua actividade, o Crédito Agrícola conta com a participação de um quadro vasto e muito diversificado e heterogéneo de dirigentes.
De facto, por um lado, a gestão de um número crescente de Caixas, da FENACAM, da Caixa Central e das Empresas Participadas é assegurada por dirigentes e profissionais a tempo inteiro, com preparação e experiência no sector. Por outro lado, importa desenvolver acções que permitam a todo o universo de dirigentes e profissionais do Crédito Agrícola a capacitação necessária para enfrentar a crescente sofisticação e regulação da actividade financeira.
Acresce que a intervenção dos dirigentes na gestão se reveste de diferentes graus de exigência e dificuldade e se verifica em contextos muito diversificados, designadamente em função da dimensão e estrutura de cada Caixa, do número de associados, clientes e trabalhadores, do volume de negócios, das operações que praticam e dos mercados onde operam, bem como das tarefas e responsabilidades exigidas a cada cargo.
Pelo exposto, e atendendo, por um lado, à organização das Caixas sob a forma cooperativa, bem como à vinculação do Grupo aos princípios cooperativos e aos valores que lhe estão subjacentes, e, por outro lado, ao elevado número de dirigentes e trabalhadores, bem como à heterogeneidade e diversidade da sua origem e preparação, à multiplicidade, diversidade e complexidade das suas tarefas e ainda à exigência e responsabilidade das respectivas funções, o Crédito Agrícola Mútuo decidiu adoptar o presente CÓDIGO DE CONDUTA que se destina a todos os dirigentes e trabalhadores da FENACAM, das Caixas Agrícolas, da Caixa Central, e das Empresas Participadas, adiante designadas por Grupo Crédito Agrícola ou abreviadamente por Grupo.
Este Código de Conduta é estabelecido sem prejuízo de todas as normas e disposições legais, regulamentares e estatutárias que enquadram a governação das diversas sociedades do Grupo e tem essencialmente em vista a imposição de um elevado padrão de exigência profissional e de conduta ética e deontológica, no rigoroso cumprimento das normas em vigor e das demais obrigações e deveres, bem como na execução das melhores práticas do sector, a par da defesa do bom funcionamento das instituições e da criação de um clima de respeito recíproco, boa colaboração e são relacionamento entre todos os dirigentes e trabalhadores do Grupo Crédito Agrícola.